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» DECLARAÇÃO
DO RIO
O tema do 11° Congresso Mundial de Saúde Pública
e 8° Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva foi
"Saúde coletiva em um mundo globalizado: quebrando
barreiras sociais, econômicas e políticas".
Após cinco dias de intensos trabalhos
e frutíferos debates, envolvendo lideranças
mundiais e locais, chegamos à conclusão de
que a globalização, fenômeno que teria
o potencial de quebrar tais barreiras, infelizmente, produziu
um ciclo vicioso, onde se tem um aumento das desigualdades
que leva à pobreza e à exclusão social,
piorando as condições de vida, deteriorando
a saúde e, por sua vez, ampliando ainda mais as desigualdades
sociais internas e entre nações.
Face a essa realidade, o cumprimento das Metas de Desenvolvimento
do Milênio encontra-se seriamente ameaçado.
No entanto, há vários caminhos que podem levar
à ruptura deste ciclo, rumo a um novo modelo de desenvolvimento,
onde a população se beneficie da prosperidade
global e viva com mais saúde.
Expressando o pensamento e o desejo dos participantes do
congresso, representando 26 nações, reafirmamos
que:
• O acesso ao cuidado de saúde eficaz é
um direito humano fundamental e uma precondição
para o desenvolvimento social e econômico;
• Todas as desigualdades no acesso ao cuidado em saúde
devem ser eliminadas;
• São necessárias mais pesquisas para
melhor entender os determinantes sociais de saúde
e as "causas das causas" do adoecimento, bem como
avaliar políticas e intervenções;
• Os resultados da pesquisa devem estar publicamente
disponíveis e ser incorporados na formulação
de políticas públicas e intervenções
em saúde. Estas, por sua vez, devem ter a promoção
em saúde como parte integral de seu desenho;
• São necessários laços intersetoriais
mais fortes entre as políticas públicas em
geral e as de saúde, e ligações efetivas
com iniciativas governamentais, não governamentais
e da sociedade civil;
• A força de trabalho em saúde pública
deve ser desenvolvida e fortalecida;
• O desenvolvimento dos sistemas de saúde deve
ser alicerçado nas comunidades, garantindo o apoio
popular e sua responsabilização frente ao
povo a que servem;
• As agências das Nações Unidas
devem ter os meios necessários e se comprometerem
com ações melhores e mais ágeis.
• A solidariedade e responsabilidade globais são
essenciais para que se faça frente ao enorme desafio
de garantir que todo ser humano possa viver sua vida com
respeito e dignidade, criando, desta forma, um futuro melhor
para as próximas gerações.
Rio de Janeiro, de 21 a 25 de agosto de 2006.
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